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LIÇÃO 6 - ROMANOS - A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO


TEXTO ESTRAÍDO DA TRADUÇÃO JUDAICA



Lição 12 - escatologia - novos céus e nova terra

  
“Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17).

No que concerne ao universo, os céus atuais darão lugar a “novos céus . A Terra que conhecemos será transformada em uma nova Terra . Deus criou “os céus”, ou o espaço sideral, com seus bilhões de corpos celestes, que incluem planetas, estrelas e galáxias, visíveis a olho nu ou através de potentíssimos instrumentos de observação, como os sofisticados telescópios. Diz a Bíblia: “Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus (Gn 2.4). “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste” (SI 8.3).
Os ímpios incrédulos, em sua arrogância, não admitem a existência de Deus (SI 10.4; 14.1). Mas a Palavra de Deus afirma, reafirma e confirma que “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (SI 19.1). Não admitir ou não crer na existência de Deus é uma suprema loucura, que levará os ímpios à condenação eterna (Rm 1.20-22).
Mas esses céus , criados por Deus, de alguma forma, foram contaminados pela tragédia cósmica do pecado. O universo foi transtornado com a queda de Lúcifer, quando ele usou o livre-arbítrio concedido por Deus e se rebelou contra o Criador. A Terra, incluída nesse universo, foi a mais atingida, a ponto de se tornar “maldita” por causa da desobediência do ser humano, que deveria ser seu dominador e cuidador zeloso (Gn 3.17). Essa maldição decretada sobre a terra só será plenamente desfeita quando Deus instaurar os “novos céus e nova terra” (2 Pe 3.13).

I - Todas as Coisas Serão Renovadas

No plano divino, que a mente humana não pode entender nem alcançar pela inteligência ou sabedoria humana, está previsto que tudo o que foi transtornado pelo Diabo e pelo pecado será restaurado e transformado pelo poder de Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Essa restauração inclui a renovação de todas as coisas. “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Ap 21.5 - grifo nosso). Os novos céus e a nova Terra serão destinados aos vencedores (Ap 21.5-7).

1. Deus Criou os Céus - O Espaço Sideral

Quando a Bíblia fala sobre “céus”, normalmente refere-se ao espaço sideral. No princípio, Ele criou “os céus”, mas o céu já existia. “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn
2.1). Deus mandou Abraão olhar para “os céus” e contar as estrelas (Gn 15.5; ver Gn 19.24). Deus criou “os céus e a terra” em seis dias (Êx 20.11; ver Dt 4.19). Desse modo, há uma diferença entre “os céus”, do espaço sideral, e o céu, onde Deus habita, chamado de “os céus dos céus”. “Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor, teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt 10.14).

2. Por que os Céus Serão Renovados

Os “céus”, criados com a Terra, em seis dias, terão que passar por uma renovação divina. Qual o motivo? Por que Deus fará tamanha transformação no espaço sideral, em seus bilhões de corpos celestes, objeto da curiosidade e pesquisa dos astrônomos, astrofísicos e astronautas? A resposta pode ser extraída da revelação de Deus através de sua Palavra.
1) Por causa da ação do Diabo. Leiamos o que diz a Bíblia: “E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor. Então, o Senhor disse a Satanás: De onde vens? E respondeu Satanás ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela” (Jó 2.1,2). Desde que foi expulso do céu, Satanás não tem onde pousar. Nem a chave de sua morada ele tem (Ap 1.18). Vive com seus anjos caídos, no espaço sideral, e tem predileção pelo planeta Terra, cenário de sua ação deliberada e maléfica contra Deus e contra o homem, sua “imagem e semelhança”. Satanás opera na esfera espiritual, em meio ao ambiente cósmico e entre os homens sem Deus. “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência” (Ef 2.1,2).
O Diabo é “o príncipe das potestades do ar”, e seu exército é numeroso, constituído de “principados”, “potestades”, “príncipes das trevas” e “hostes espirituais da maldade”, que são os protagonistas da “guerra espiritual” contra os filhos de Deus (Ef 6.12) e são responsáveis pelas tragédias espirituais, morais e físicas, contra o ser humano, provocando guerras, conflitos, violência, doenças, destruição de famílias, de casamentos, de lares, libertinagem, depravação e tudo o que é maléfico, na Terra. Mas sua ação abrange o cosmos, que inclui todos os planetas e estrelas. Dessa forma, “os céus” estão contaminados pelos efeitos espirituais maléficos da ação do Diabo. E precisam ser purificados.
2) Satanás será expulso do universo. Não é por acaso que Satanás procura incutir na mente das pessoas, inclusive de cientistas e pesquisadores, que existem seres “extraterrestres”, “mais evoluídos” que os homens; “discos voadores”, OVNIs, “civilizações” muito superiores à nossa! E os fazem gastar bilhões de dólares em pesquisas inúteis, em busca de “vida inteligente” em planetas distantes do nosso sistema solar. Com tais distrações científicas, ele consegue afastar mais ainda as pessoas da verdade emanada da revelação de Deus. Mas a ação do Diabo, com permissão de Deus, terá fim. Seu destino e habitação eternos já estão preparados (Ap 20.10). Jesus garantiu o destino do Diabo e seus seguidores caídos: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41).
3. A Renovação Divina dos Céus
Pelas razões descritas acima, os céus, ou o cosmos, precisam ser renovados pelo poder purificador de Deus, que irá restaurar todo o universo, expurgando os efeitos da presença do Diabo e seus anjos. Os “céus” atuais serão mudados: “Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás;todos eles, como uma veste, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados" (SI 102.25,26 - grifo nosso). Certamente, o universo não será destruído, como entendem alguns eruditos. Mas passará por um processo de mudança, livre dos efeitos da ação maligna. “E todo o exército dos céus se gastará, e os céus se enrolarão como um livro, e todo o seu exército cairá como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira” (Is 34.4). Orando Boyer assim descreve essa renovação: “Haverá um novo céu e uma nova terra, não no sentido de haver outro céu e outra terra, mas a nossa terra e os céus serão feitos novos. Como se diz acerca do pecador salvo: “E uma nova criação; passou o que era velho, eis que se fez novo” (2 Co 5.17), assim se dirá de tudo: As primeiras coisas são passadas [...] eis que faço novas todas as coisas (w. 4, 5 - Ap 21. 4,5)”.1
Haverá uma extraordinária transformação e processo purificador sem igual no universo: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. [...] Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão” (2 Pe 3.7,10 - grifo nosso). No Dilúvio, Deus enviou a grande catástrofe hídrica sobre o planeta. Na restauração cósmica, após o Juízo Final e prisão eterna de Satanás, Ele fará uma renovação, transmutando os elementos químicos que formam a terra e os planetas por meio do fogo divino. No início, na Criação, houve o “fiat lux”; no final, “os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão”. Assim, sem a presença do Diabo e seus anjos caídos, no espaço sideral, e principalmente sobre a Terra, os céus serão plenamente restaurados ao seu estado original.

II - Os Novos Céus e a Nova Terra

1. Em Cristo, Céus e Terra Serão Congregados

No plano de Deus para a Terra, Ele resolveu criar os seres humanos (Gn 1.27; 5.2). Em meio à imensidão do universo, o pequenino planeta, criado por Deus, foi o habitat escolhido pelo Criador para a existência do homem com propósitos maravilhosos. Mas, por causa da desobediência, não só o ser humano foi transtornado e prejudicado pelo pecado; os céus e o planeta também sofreram as conseqüências. A Terra foi a mais prejudicada, a ponto de tornar-se “maldita” (Gn 3.17). O homem, que deveria ser dominador, passou a ser dominado. Mas no plano glorioso para o planeta, Deus previu que essa maldição seria eliminada, quando da instauração dos “novos céus e nova terra” (2 Pe 3.13). Paulo demonstra que Deus, “segundo o seu beneplácito”, tomou a decisão “de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef 1.10 - grifo nosso). Certamente, não poderia ser diferente, pois “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). E tudo é dEle, todas as coisas foram feitas por Ele e foram feitas para Ele (Rm 11.36).

2. Deus Criará Novos Céus e Nova Terra

“Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17). A História da humanidade, na Terra, é muito mais marcada pelas tragédias do que pelos êxitos e coisas boas. O período em que os homens eram dominados pela “lei do mais forte”, nos tempos passados, quando imperadores e reis tinham o poder de vida e de morte sobre todas as pessoas, quantas injustiças foram perpetradas! Quanto a Igreja de Jesus sofreu, na perseguição pelos judeus, após a ascensão de Cristo; como foi terrível a perseguição dos imperadores romanos; a perseguição pelas religiões, inclusive a Igreja Católica, que exterminou inocentes pelo fato de crerem em Cristo como Salvador, nas famigeradas “santas inquisições”! No século passado, a igreja de Jesus sofreu a perseguição cruel do comunismo ateu, que matou mais de 100 milhões de pessoas; do nazismo satânico, que exterminou milhões de judeus e de cristãos por causa de sua fé. Mas a igreja não se encurvou. O comunismo foi derrotado em sua própria terra. Só existe na cabeça de intelectuais materialistas, usados pelo Diabo para restaurar o regime mais tirânico que o mundo já viu.
O autor aos Hebreus resumiu o sofrimento cruel por que passaram os que iniciaram a igreja: “E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados,aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hb 11.36- 39). Porém, com a restauração de todas as coisas, nos novos céus e na nova terra, não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.
João viu o panorama divino e maravilhoso da nova realidade do universo e da terra: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Uma das características que farão a diferença entre a terra atual e a “nova terra” é que não haverá mais oceanos. Os navios não serão mais necessários nem sua estrutura portuária. As águas não separarão mais os continentes. A topografia da terra voltará a ser como antes do Dilúvio. A ciência diz que só havia um continente, a “Pangeia”, ou Terra global. Os mares eram reduzidos. Certamente, haverá rios, lagos, lagoas, fontes, etc. Mas não haverá mais necessidade de mares. Glórias a Deus pelo seu poder insuperável no controle de todas as coisas.

III - As Duas Jerusaléns

Além de “novos céus e nova terra”, haverá também novas cidades, que serão as metrópoles-polo do novo governo universal, quando Deus implantará o “perfeito estado eterno”, que substituirá para sempre todas as chamadas “ordens mundiais” criadas pelo homem ou inspiradas pelo Diabo.

1. Nova Jerusalém

Será uma cidade celeste, preparada no céu, para ser morada dos salvos, redimidos por Cristo, depois de passarem pelo Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. Eles virão com Cristo, na sua vinda em glória, participarão do Juízo Final ao lado do Supremo Juiz e viverão para sempre com Ele na eternidade. A “nova Jerusalém” tem aracterísticas jamais vistas na Terra.
1) Ela é preparada no céu. Sua arquitetura e estrutura são especiais, projetadas por Deus. “E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21.2); e será lugar de comunhão e relacionamento com Deus, dos que entrarem para o estado eterno. “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3). Os que forem arrebatados, na vinda de Jesus, não precisarão de moradas terrestres, com aposentos para as pessoas em estado natural. Não haverá cozinha, banheiro, quarto para dormir, quintais, nem casas muradas ou gradeadas, pois não haverá ne- nhum mal nem ímpios na gloriosa cidade. Os salvos terão corpos espirituais, semelhantes ao de Jesus ressuscitado (Fp 3.21). Quem for fiel até à morte terá o privilégio de conhecer e viver na Cidade Santa.
2) É uma cidade literal. Como um satélite, que pairará sobre a Terra, a nova Jerusalém desce do céu (Ap 21.10,24). Expressa uma realidade divina. Trata-se de uma grande cidade” (Ap 21.10), com um aspecto estético glorioso, jamais visto pelo homem. Ela “tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente” (Ap 21.11). Observemos o advérbio de modo como , sugerindo o aspecto dos “materiais” usados na construção da cidade. Nela há uma linda praça, no meio da qual atravessa o “rio da vida , com a árvore da vida em suas margens: No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações” (Ap 22.2). “E disse-me mais: Está cumprido; Eu sou o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida (Ap 21.6). Há crentes, aqui, que nunca saíram de seu povoado. Lá desfrutarão das belezas celestiais.
3) Ela tem muro e doze portas. “E tinha um grande e alto muro com doze portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel. Da banda do levante, tinha três portas; da banda do norte, três portas; da banda do sul, três portas; da banda do poente, três portas” (Ap 21.12,13). O Supremo Arquiteto esmerou-se em dar beleza à construção da Cidade. “E as doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade, de ouro puro, como vidro transparente” (Ap 21.21). “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro” (Ap 21.18). A cidade tem perímetro quadrado, com três portas de cada lado. São encimadas pelos nomes das doze tribos de Israel, numa prova de que Deus tem o cuidado de manter eternamente o pacto feito com Abraão, com Isaque e com Jacó. No final, o remanescente de Israel, representando toda a sua história e todo o povo eleito, será salvo (cf. Rm 9.27; 11.29). Governos e povos que são contra Israel estão sob maldição.
E os que o apoiam terão a bênção de Deus (Gn 12.3; Nm 24.9).
4) Os doze fundamentos da cidade. O muro tem bases significativas em termos proféticos. “E o muro da cidade tinha doze fundamentos e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14). Os nomes dos apóstolos nos fundamentos representam a Igreja de Cristo como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), através da doutrina dos apóstolos” (At 2.42), que representa a mensagem do evangelho de Cristo. Como tudo na cidade santa tem a glória de Deus, os fundamentos também refletem essa glória. “E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; o quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista” (Ap 21.19,20). A beleza da cidade é fora de tudo o que se pode imaginar. Só chegando lá é que poderemos ver o cuidado do Arquiteto divino em projetar tanto brilho e fulgor da cidade divina.
5) As dimensões da cidade. A cidade tem formato cúbico. E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo” (Ap 21.16,17). Doze mil estádios equivalem a 2.400 quilômetros. O comprimento, a largura e a altura da cidade têm a distância equivalente ao percurso de Recife a São Paulo. Quem desejar, pode calcular a sua área. As três dimensões iguais indicam a perfeição da cidade.
6) Na nova Jerusalém, não haverá mais tristeza. “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas (Ap 21.4). Desde sua criação, o motivo mais forte para a tristeza é a morte. Nas grandes cidades, ou nos pequenos lugarejos, sempre existe um cemitério, onde entes queridos são enterrados. Mas, na nova Jerusalém, a morte não mais existirá (Ap 20.14; 1 Co 15.26). Ninguém terá motivos para chorar. Hoje, há mais lágrimas do que riso. O sofrimento humano causado pelo pecado ultrapassa o suportável. Guerras, injustiças, violência, doenças, perseguições são alguns dos motivos porque tantos choram. Mas, na nova cidade, não haverá mais lágrimas.
7) Lá, não haverá templo. O “seu templo é o Senhor, Deus Todo -Poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21.22). Aqui, os templos servem de lugar de adoração a Deus, onde os crentes se congregam. Na nova Jerusalém, todos estarão em sua presença por toda a eternidade. Deus e Jesus serão ao mesmo tempo o foco do louvor, não havendo limitação de espaço físico.
8) Não haverá “nem sol, nem lua”, nem noite (Ap 21.23). “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23). Será tamanha a glória de Deus, que, em toda a parte se verá sua luz, sem necessidade de sol, de lua ou de estrelas. Todo o espaço sideral será transformado. “E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite” (Ap 21.25).
9) A Cidade pairará como um satélite. Ela descerá do céu (Ap
21.2); e servirá de fonte permanente de luz para as nações que restarão, no Milênio, aqui na Terra. “E as nações andarão à sua luz, e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. [...] E a ela trarão a glória e honra das nações (Ap 21.24,26). Só quando estivermos na Cidade poderemos ver como as nações da terra se curvarão ante o poder, a autoridade e a majestade de Deus e do Cordeiro.
10) Lá, não haverá pecado. “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.27); não haverá maldição contra ninguém (Ap 22.3); os corruptos já estarão no inferno; só os salvos viverão na Santa Cidade; todos os ímpios ficarão de fora (Ap
22.15). Diz o apóstolo Paulo: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1 Co 6.10). Todos os que praticam atos indignos aos olhos de Deus não terão acesso à nova Jerusalém. Seu lugar e destino é o inferno (ler SI 9.17).

2. A Jerusalém Terrestre

Como vimos, no capitulo 10, Jerusalém será a capital de Israel, e também a capital do mundo (Is 2.1-3; Is 60.3). Praticamente todas as leis e constituições têm sido influenciadas pelos conceitos materialistas da cosmovisão que despreza a Palavra de Deus. A partir do Milênio, todas as legislações perderão sua validade, e os povos terão que submeter-se à Lei de Deus.
As nações do mundo, para sobreviverem, terão que buscar o apoio de Israel, em sua capital eterna (Zc 14.16,17). Naturalmente, as nações se dirigirão a Jerusalém, por intermédio de representantes ou delegados credenciados para isso. Cumprir-se-á o que diz a Bíblia: Dizei entre as nações: O Senhor reina! O mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão. Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra: brame o mar e a sua plenitude. Alegre-se o campo com tudo o que há nele; então, se regozijarão todas as árvores do bosque, ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade” (SI 96.10-13).
Diz um belo hino da Harpa Cristã: “Metade da glória celeste jamais se contou ao mortal”. De fato, tudo o que escrevemos em palavras humana é insuficiente para expressarmos a grandeza e a glória dos “novos céus” e da “nova terra . O que a Bíblia revela, afastando um pouco o véu da eternidade, não é a expressão plena da realidade que se descortinará aos olhos dos salvos em Cristo Jesus, que com Ele reinarão na nova Jerusalém. Por isso, vale a pena ser crente fiel, santo e dedicado a fazer a vontade de Deus.

Bibliografia

1 BOYER, Orlando. A visão de Patmos, p. 177.


LIÇÃO 5 - ESCATOLOGIA - O ARREBATAMENTO DA IGREJA



“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Ts 4.16,17).


sabemos que a volta do Senhor Jesus dar-se-á em duas fases. A primeira fase corresponde ao arrebatamento da Igreja, quando Jesus cumprirá o que prometeu aos seus discípulos, em relação ao seu retorno para buscá-los e levá-los para o céu. Na última reunião com eles, antes de sua morte, e percebendo que estavam preocupados com o que dissera sobre a ida a Jerusalém e ser morto, Jesus lhes disse: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14.1-3 - grifo nosso).
Os Testemunhas de Jeová costumam abordar crentes, novos convertidos, dizendo-lhes que ninguém vai para o céu. No entanto, o texto citado indica claramente que Jesus tranquilizou seus seguidores, prometendo-lhe vir “outra vez” e levá-los para si mesmo, para que, onde Ele estivesse, eles haveriam de estar. Em Atos 1.11, o texto diz que Jesus “foi recebido em cima nos céus”. Jesus prometeu buscar seus servos para estar com eles. Muitos caem nas armadilhas dos hereges por não conhecerem as Escrituras. Isso é um grande erro (Mt 22.29).

Antes de ascender aos céus, após a sua ressurreição, Jesus apareceu e reuniu-se com os discípulos cerca de dez vezes, no espaço de quarenta dias. Lucas refere-se a esse período com detalhes muito importantes, dando-lhes suas preciosas instruções antes da despedida: “aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que diz respeito ao Reino de Deus” (At 1.3). Naquela, que foi a última reunião com os apóstolos, eles demonstraram sua inquietação acerca dos últimos tempos, especificamente sobre a restauração do reino a Israel. O momento da ascenção foi marcado pela resposta de Jesus, que lhes disse: “[...] Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (At 1.7-9).
Podemos imaginar a estupefação no olhar dos apóstolos, ao contemplarem aquele quadro jamais visto por eles, ao verem Jesus vencendo a lei da gravidade, e subindo, subindo, até ser oculto por uma nuvem e desaparecer no espaço. Seus corações aceleravam-se pelo inusitado acontecimento diante de seus olhos. Mas, antes que suas esperanças se dissipassem, por não mais verem seu Mestre, Senhor e Pastor, imediatamente, dois mensageiros celestiais foram enviados para tranquilizá-los. “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.10,11 - grifo nosso). Sim, Jesus voltará, creiam ou não creiam os ímpios, creiam ou não creiam os teólogos incrédulos. Ele é Fiel.

I - Todos os Salvos Serão Arrebatados

1. O Encontro com Jesus nos Ares

a) A reunião dos salvos no encontro com Cristo. O arrebatamento da Igreja se dará por ocasião da primeira fase da vinda de Jesus. A palavra arrebatamento, na língua original do Novo Testamento, o grego, é harpazó, e dá a ideia de rapto, ou de remoção repentina, de modo súbito. O arrebatamento da Igreja reunirá os que morreram em Cristo, isto é, confessaram a Jesus como seu Salvador e permaneceram fiéis até à morte para receberem “a coroa da vida” (Ap 2.10), e os que estiverem vivos, aguardando o glorioso evento. No arrebatamento da Igreja, haverá a união dos que “em Jesus dormem” (que morreram) com os que serão transformados (1 Ts 4.13). Paulo expressa essa verdade de modo muito claro, demonstrando que os mortos serão ressuscitados e arrebatados dos seus túmulos ou dos locais onde morreram.1
b) A precedência dos ressuscitados. “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4.15,16). É a precedência honrosa que Deus concederá aos “que morreram em Cristo”. Serão arrebatados primeiro, ainda que num “abrir e fechar de olhos”.
Na ressurreição, o corpo dos salvos, ainda que transformados em pó, carbonizados ou comidos por peixes ou feras, serão trazidos à existência pelo poder de Deus, pela energia criadora de sua palavra: [...] a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem” (Rm 4.17). A ressurreição dos salvos para serem arrebatados é a vitória sobre a morte, “o último inimigo” a ser aniquilado (1 Co 15. 26). A segunda ressurreição será para os ímpios, após o Milênio (Ap 20.5).

2. Quem Será Arrebatado

O arrebatamento dos salvos, ressuscitados e transformados, será repentino. Diante disso, o crente fiel deve estar preparado para “a última grande viagem”, em direção aos céus, à presença gloriosa de Deus, para habitar na nova Jerusalém”. Só chegarão aos céus aqueles que forem vencedores. Na jornada da vida cristã, o caminho é estreito e tem “altos e
Nota do autor. Nem todos os salvos foram sepultados em túmulos, de maneira normal, com direito a velório e despedida dos entes queridos. Alguns morreram afogados no mar ou nos rios. Outros morreram em incêndios, ou queimados vivos pelos inimigos da fé. Logo, não tiveram direito a um túmulo como a maioria das pessoas. Mas ressuscitarão no mesmo átimo de tempo. Mas, pelo poder de Deus, as moléculas de seus corpos serão reunidas, restaurando o corpo físico para ser ressuscitado, em corpo glorioso, semelhante ao de Jesus, quando ressuscitou (Fp 3.21). baixos”, em termos de momentos e eventos que nos alcançam. Graças a Deus, na maior parte do tempo, para a maioria dos salvos, a vida é “um banquete contínuo” (Pv 15.15). Mas nem sempre é assim. Hora estamos nos montes, hora estamos nos vales. Experimentamos alegrias, prazer divinal, e também vivenciamos momentos de tristeza e decepções.

Nessa alternância de fatos, muitos não conseguem seguir em frente, e se deixam vencer pelo desânimo, pelo cansaço espiritual, e caem à beira do caminho. Uns voltam à vida de pecado; outros tornam-se descrentes ou ateus; outros apostatam da fé. São derrotados. Mas, no arrebatamento, não haverá derrotados, vencidos, fracassados ou desviados. Só estarão inscritos os vencedores. Jesus disse a João, na Ilha de Patmos: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap 3.12). Será o coroamento da carreira cristã.
Paulo aproveitou a figura de uma corrida, nas Olimpíadas gregas, comparando a vida do crente com um atleta que luta ou corre, visando alcançar um prêmio nas competições. “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.25- 27). Por tudo isso, que é tão glorioso e além do que a mente humana possa avaliar, é que João diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2,3).

II - O que Ocorrerá no Arrebatamento

Na sua primeira vinda, para proclamar seu evangelho de salvação, Jesus palmilhou esta terra, pisou no chão, andou de sandálias, andou de barco, dormiu em lugar incerto, nas cidades, aldeias e distritos; Ele “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Contudo, na primeira fase de sua vinda, quando haverá o arrebatamento da Igreja, Jesus não tocará na terra. Ele estará “nos ares” ou “nas nuvens” (1 Ts 4.17). Nenhum teólogo ou cientista cristão poderá explicar como os crentes fiéis serão arrebatados. E um mistério que só a fé pode aceitar como real e factual.

1. A Ressurreição dos Mortos

A ressurreição dentre os mortos é doutrina que faz parte eminentemente do patrimônio da fé cristã. No tempo de Paulo, ele sentiu necessidade de ensinar à igreja de Corinto sobre esse importante tema da vida da Igreja. Corinto era uma cidade grega. E os gregos acreditavam na alma, e que esta seria imortal, mas não criam na ressureição dos mortos. Entendiam que o corpo é uma “prisão da alma” e que não faria sentido libertar-se dessa prisão e retomar para outro corpo e continuar com a alma encarcerada.

a) Dúvidas quanto à ressurreição. Com essa visão, até mesmo os crentes eram influenciados pela descrença quanto à ressurreição. Havia, mesmo entre os crentes, quem não cresse na ressurreição. Escreveu Paulo aos crentes de Corinto: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou” (1 Co 15.12,13). O tema da ressurreição é de tamanha significância que só se pode entender pela fé. A lógica racional, que dominava a mente dos primeiros crentes por influência da cultura grega, bem como o entendimento lógico dos homens, nos dias presentes, inclui a ressurreição na ideia de que a Bíblia é cheia de mitos.
A falta de fé na doutrina da ressurreição dos mortos é tão grave que resulta em questionamentos que podem desacreditar a mensagem do evangelho, o papel dos pregadores e a certeza da salvação. Paulo argumentou em sua carta aos coríntios: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens (1 Co 15.14-19).
Existem teólogos, que na verdade nem mereceriam esse nome, que se valem de argumentos racionais e humanistas, para negarem o fato da ressurreição. Rudolf Bultmann (1884-1976) afirmava que a Bíblia está cheia de mitos. Daí, suas ideias serem denominadas ' Teologia do Mito . Segundo essa teologia, pode-se crer em Jesus como Salvador, sem ter que crer em seu nascimento virginal, em sua ressurreição, ou na sua segunda vinda; Deus não se revela milagrosamente no tempo e no espaço. “O homem moderno pensa de modo científico, em categorias rigorosamente causais”.2 São especulações humanas, que em nada abalam o alicerce da inspiração da Bíblia, como revelação de Deus ao homem.
b) A garantia da ressurreição. A Palavra de Deus assegura-nos que os mortos hão de ressuscitar. “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele” (1 Ts 4.14). Paulo também diz: “Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” (1 Co 15.21). Creiam ou não creiam os ímpios, queiram ou não queiram os materialistas, que dizem que, na morte, o ser humano é igual a um animal irracional, nada mais restando, a não ser a decomposição orgânica e o pó, os que morreram em Cristo, em fidelidade e santidade, tornarão a viver, e farão parte da “primeira ressurreição (cf. Ap 5.6). O corpo dos salvos que estiverem mortos, não importa há quantos anos ou séculos, não importa a forma como morreram, de velhice, de doença, de acidente, etc., haverá a poderosa ação do Espírito Santo, transmutando seus corpos em corpos gloriosos: “Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor” (1 Co 15.42,43).

c) A primeira ressurreição. Após valer-se da dialética, Paulo afirma com convicção plena que a ressurreição não pode ser questionada, mas é um fato real, admitido pela fé, que tem por base e referência a ressurreição de Cristo, como o primeiro a reviver pelo poder sobrenatural de Deus, tornando-se a garantia de que todos os que morreram nele haverão de reviver. Ele diz, no início de sua carta, que Cristo “ressuscitou, segundo as escrituras” (1 Co 15.4b); “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem. Por- que, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.20-23). Neste estudo, estamos discorrendo sobre a “primeira ressurreição” (Ap 20.5). A ressurreição dos salvos. O primeiro, ou “as primícias”, a dar início à primeira ressurreição, foi Jesus. Ninguém reviveu, vencendo a morte física, antes dEle. Depois que Ele ressuscitou, houve a ressurreição de muitos servos de Deus, que estavam nos sepulcros. “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mt 27.52); eles também fazem parte da primeira ressurreição; mais dois grupos também farão parte desse evento glorioso: “as duas testemunhas” (Ap 11.1-12, ler especialmente v. 12 - “subi cá”); e o último grupo dos “mártires”, que aceitarão a Cristo na “grande tribulação” (Ap 7.9-17).

Na revelação do Apocalipse, o próprio Jesus Cristo diz a João: “Não temas; eu sou o Primeiro e o Ultimo e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.17b,18 - grifo nosso). A ressurreição dos mortos e a transformação dos vivos será um processo de tão grande complexidade, que só pela fé podemos acreditar. Como corpos que sequer existirão mais nos túmulos, ou desaparecidos em meio a catástrofes, poderão se recompor e assumir a condição de corpos incorruptíveis, gloriosos. Paulo diz: “E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Co 15.54).

2. A Transformação dos Vivos

a) O processo da transformação. De igual modo, a transformação do corpo dos vivos será algo inimaginável à mente humana. Num instante, num átimo de tempo, “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15.52). Como se dará essa metamorfose? Não ousamos especular. Mas entendemos que o Criador, que fez todas as coisas passarem a existir a partir do nada, também fará a transformação dos corpos físicos, corrompidos e mortais se tornarem corpos espirituais, semelhantes ao corpo glorioso de Cristo, ao ressuscitar ao terceiro dia, da tumba em Jerusalém. Seu corpo, o mesmo que foi sepultado, ressurgiu resplandecente, capaz de atravessar as paredes, e se deslocar no espaço sem auxílio de qualquer objeto ou equipamento material. Ele deu uma amostra do que seria o corpo ressurreto quando se transfigurou no monte da Transfiguração (Mt 17.2).
Os salvos que estiverem vivos, quando da volta de Jesus, passarão por um processo sobrenatural instantâneo, pelo qual serão, primeiramente, transformados e, ato contínuo à ressurreição dos salvos, serão arrebatados com eles. Diz a Bíblia: “depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17 - grifo nosso). A transformação dos vivos é descrita por Paulo de forma bem interessante: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trom- beta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Co 15.5-53), O apóstolo ressalta a transformação sobrenatural do corpo corruptível (que se decompõe) em um corpo incorruptível, que não pode mais envelhecer, adoecer e morrer. Enfatiza a vitória sobre a morte, quando o corpo do salvo se tornará imortal, pela ressurreição ou pela transformação, por se tomar espiritual e glorificado.
b) A necessidade da transformação. “A transformação dos vivos é necessária. Diz a Bíblia “que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção” (1 Co 15.50). Na condição natural, biológica, limitada, ninguém pode sequer chegar às nuvens sem aparelhos especiais de sobrevivência. Astronautas usam trajes espaciais, adaptados para a rarefação do ar atmosférico. Nas estações espaciais, por mais modernas que sejam, os cientistas criam condições especiais para os que nela passam alguns dias e têm que voltar à Terra. Os mortos, ao ressuscitarem, terão corpo semelhante ao de Jesus, após sua ressurreição (Fp 3.21), e estarão de imediato em condições de subir aos céus, sem auxílio de qualquer equipamento fabricado pelo homem.
Assim, a transformação é o processo sobrenatural, em que o corpo, formado por tecidos, células, sangue e outros elementos físicos, será transformado num corpo glorioso, idêntico ao dos ressuscitados, com que poderão ir ao encontro do Senhor nos ares”,3 ou literalmente, nas nuvens.

III - O Antes e o Depois do Arrebatamento

1. A Necessidade da Vigilância

Diante dessa realidade espiritual tão profunda, todo crente que espera a volta de Jesus, deve estar preparado a cada dia, a cada instante. Ao deitar, o crente, jovem ou adulto, precisa estar com sua “bagagem” espiritual pronta, pois, quando “a trombeta de Deus” tocar, anunciando a volta de Cristo, não haverá mais tempo, um segundo sequer, para alguém se preparar. O pai crente não poderá avisar ao filho que se prepare; não poderá chamar sua filha, que estiver desviada, para que deixe sua vida de pecaminosidade; o filho crente não poderá acordar seu pai e dizer que “Jesus está voltando”; o esposo salvo não poderá despertar a esposa, dizendo que “chegou a hora”; nem a esposa salva poderá alertar ao marido descrente que Jesus está chamando. Não! Todos esses alertas devem ser dados agora, no dia que se chama hoje. Porque, no arrebatamento, os eventos finais serão de uma rapidez fulminante, “num abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.51).

2. E Viverão Felizes para Sempre

As histórias de amor, na literatura romântica, na ficção, sempre terminam com a frase “e viveram felizes para sempre”. Na maioria dos casos narrados, a história não passa de uma imaginação fértil do escritor das obras de contos infantis ou juvenis. No entanto, a história de amor de Deus para com o homem é diferente. Ela é real. Jesus é a expressão máxima do amor de Deus (Jo 3.16). Nada é fictício, nada é mito ou fábula. Tudo é real e eterno. A Igreja, a “Noiva do Cordeiro”, há de se encontrar com Ele, “o Noivo”, nas nuvens, a fim de viverem felizes para todo o sempre. O começo da História da Igreja foi de perseguições cruéis, quando muitos crentes pagaram com a própria vida. Ao longo dos séculos, a Noiva de Jesus tem sofrido coisas inimagináveis. Foi perseguida pelos judeus; foi perseguida de forma mais cruel pelo Império Romano, que quis eliminar o cristianismo da face da terra; foi atacada de modo mortal pelo materialismo ateu, começando no Iluminismo, quando a fé foi substituída na mente de muitos homens pelas conclusões das ciências; no século passado, o materialismo investiu pesado contra a Igreja. O comunismo ateu foi implacável e planejou a destruição da fé cristã, matando crentes, banindo pastores e fechando igrejas.
Mas em todos esses embates, a Igreja de Cristo, a Noiva do Cordeiro, saiu vitoriosa. Porque Ele disse: “[...] edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). No século atual, há perseguições terríveis, como vimos no capítulo 2, mas a Noiva do Senhor subirá ao encontro dEle, para encontrá-lo “nas nuvens” (1 Ts 4.17). O apóstolo João, em sua primeira Carta, exorta os crentes a se manterem fiéis e puros, aguardando a volta do Senhor: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2,3). Em breve, haverá as “Bodas do Cordeiro”, quando haverá a união da Noiva, a Igreja, com seu Noivo, elevada à condição de esposa eterna; “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Ap 19.7). Vale a penas ser crente, mas se for para ir para o céu.

Bibliografia


1 Nota do autor. Nem todos os salvos foram sepultados em túmulos, de maneira normal, com direito a velório e despedida dos entes queridos. Alguns morreram afogados no mar ou nos rios. Outros morreram em incêndios, ou queimados vivos pelos inimigos da fé. Logo, não tiveram direito a um túmulo como a maioria das pessoas. Mas ressuscitarão no mesmo átimo de tempo. Mas, pelo poder de Deus, as moléculas de seus corpos serão reunidas, restaurando o corpo físico para ser ressuscitado, em corpo glorioso, semelhante ao de Jesus, quando ressuscitou (Fp 3.21).
2 GUNDRY, Stanley. Teologia contemporânea, p. 49.
3 LIMA, Elinaldo Renovato de. 1 e 2 Tessalonicenses, p. 112

Lição 2 - Sinais, que antecedem a volta de Cristo




“E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24-11-13).



Tomando por base o que a Bíblia diz sobre o fim dos tempos, em relação à Igreja do Senhor Jesus, veremos que o próximo grande acontecimento será o Arrebatamento da Igreja. Parece algo fantástico, inacreditável para a maioria das pessoas, no mundo sem Deus, mas, seguramente, se cumprirá, pois Jesus assegurou que passará os céus e a terra, mas suas palavras não hão de passar (Mt 24.35).

O Sermão Profético de Jesus, proferido diante dos discípulos, começou em resposta a uma indagação deles, quando o convidaram para olhar para a arquitetura do Templo em Jerusalém: “E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mt 24.1,2).

Eles ficaram calados, pensativos, durante todo o percurso entre o Templo e um momento de descanso, sob as árvores, no monte das Oliveiras, que fica bem próximo.
Mas, após se acomodarem naquele lugar, que lhes era bem familiar, certamente comentando a resposta profética de Jesus, resolveram interrogá-lo sobre a questão da destruição do Templo: “E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? ” (Mt 24.3). Eles estavam conscientes de que Jesus haveria de se ausentar por um período não revelado de tempo, para voltar aos céus, mas voltaria para reinar com seu povo na terra.

E queriam saber do Mestre sobre os sinais da sua segunda vinda, bem como dos acontecimentos que marcariam “o fim do mundo”. Sem dúvida, a mente dos discípulos estava cheia de inquietações, de perguntas, dúvidas e incertezas quanto ao futuro da humanidade, do mundo e deles próprios. Ante a questão levantada por eles, Jesus começou a proferir um dos mais impressionantes sermões de seu ministério, denominado Sermão Profético. Neste, Jesus discorreu sobre cinco grupos de sinais referentes ao “fim dos tempos” ou do fim do mundo.

O primeiro conjunto de sinais profetizados por Jesus refere-se ao prenúncio do fim, quando eventos escatológicos hão de acontecer, sem, no entanto, ser “o fim”, propriamente dito. No segundo grupo de sinais, há diversos alertas ou advertências para seus próprios seguidores, que abrangeria a Igreja, no sentido universal, como a Noiva do Cordeiro. Ele fala sobre os “falsos cristos”, enganadores, e sobre muitos que serão enganados; chama a atenção para a ocorrência de guerras e “rumores de guerras”, que acontecerão nos dias precedentes á sua volta para arrebatar a Igreja. E, nesse ponto, logo adverte: “Mas todas essas coisas são o princípio das dores” (Mt 24.8). Essa expressão, “princípio das dores”, é uma alusão a uma mulher grávida, que sente as primeiras dores, indicando que dentro de poucas horas terá o seu filho. Elas começam mais espaçadas, de meia em meia hora; e vão-se estreitando, de minutos em minutos, até chegar a dar à luz a criança.

Jesus alerta os seus discípulos de que muitos deles seriam entregues às autoridades para serem castigados e até mortos por causa de sua fé em Cristo. E, por causa disso, certamente, muitos se escandalizariam, e dariam lugar à iniquidade e à falta de amor, que é uma das características mais marcantes dos tempos do fim. Jesus advertiu, também, quanto aos falsos profetas, e lhes prenunciou um aspecto altamente alvissareiro dos tempos que antecedam a sua vinda: a pregação do evangelho em todo o mundo, como condição para a consumação do fim.

Na fala de Jesus, num segundo bloco de informações, ante os olhares atentos dos discípulos para sua resposta, Jesus descreve, resumidamente, como será a Grande Tribulação. Chama a atenção, nos versículos 15 a 20 do capítulo 24 de Mateus para a situação vexatória que sobrevirá sobre o povo de Israel, desde “a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel”, passando pelas aflições dos que estiverem nos montes, e das grávidas que houver naquele tempo de angústia. E sublinha, em sua fala, algo que deve ter estarrecido os discípulos; “porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (Mt 24.21,22). E adverte mais uma vez para os falsos cristos e falsos profetas que haverão de surgir. E lembra que sua vinda será “como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente” (Mt 24.27).
Num terceiro bloco de predições, Jesus falou aos discípulos sobre a sua vinda em glória, quando o sistema sideral será abalado, e “aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória, precedido de seus anjos” (Mt 24.30) que “ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt 24.31).

Jesus aguçou a mente dos discípulos ainda mais quanto à brevidade de sua Segunda Vinda quando declarou: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas aconteçam.
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.34,35). Eles devem ter-se indagado: “esta geração”? Será que o Senhor Jesus vai para o céu e voltará, alcançando nossa geração?
Nos dois últimos blocos do seu Sermão, Jesus falou aos discípulos sobre a necessidade de vigilância constante, dizendo: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai” (Mt 24.36). Acrescentando que Ele virá numa hora em que o mundo estará em pleno desenvolvimento de suas atividades normais, como comer, beber, casar, e de atividades profissionais. E conclui essa parte do Sermão, dizendo que haverá dois tipos de servos: os fiéis e os negligentes. Os fiéis serão galardoa- dos e os infiéis serão condenados pelo Senhor.

1 - Sinais na Vida Religiosa

Os “últimos dias”, na linguagem profética, referem-se aos dias que antecedem à vinda de Jesus. Como nos revelam as Escrituras Sagradas, a vinda de Jesus dar-se-á em duas fases. A primeira corresponde ao arrebatamento, quando Jesus virá “para os seus”, ou seja, para os que estão salvos, que fazem parte da Igreja do Senhor. Antes de sua morte e de sua Ascenção aos céus, Jesus disse a seus discípulos: “E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” 0o 14.3). Jesus virá, no arrebatamento, para “todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8). Na sua vinda em glória, Ele virá com seus santos, e com os anjos (Jd 14-16; 2Ts 1.7; Ap 19.14). É preciso cuidado para não confundir o arrebatamento (I fase da vinda de Jesus, com sua vinda em glória - 2 fase de sua vinda).

Com relação à primeira fase de sua vinda, ou o arrebatamento, há interpretações muito estranhas e sem respaldo bíblico. Há ensinadores que dizem que Jesus já voltou, no Dia de Pentecostes, na pessoa do Espírito Santo. Porém, esse argumento carece de qualquer consistência, pois Jesus disse que o Espírito Santo só viria depois que Ele fosse para o céu. “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (Jo 16.7). Segundo Horton,1 há os que ensinam que a volta de Jesus ocorre quando ele se converte e Jesus entra em seu coração. Não cabe nem comentário, pois está escrito que os salvos esperam Jesus, vindo dos céus: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Os Testemunhas de Jeová, depois de terem falhado reiteradamente, em marcar a volta de Jesus, dizem que Ele voltou à terra invisivelmente, em 1874.

Assim, antes do arrebatamento, haverá sinais evidentes de que o fim está próximo. Ou seja, o fim da ordem mundial, que reina ao longo dos séculos, desde a criação do mundo. Antes de Jesus voltar, para buscar a sua Igreja, sinais ocorrerão em diversas áreas da vida da humanidade. A seguir, um resumo desses sinais proféticos. Jesus revelou aos discípulos que, antes da sua vinda, ou antes do fim, haveria os seguintes sinais na vida religiosa.

1. Os Falsos Cristos e Falsos Profetas

“E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos’’ (Mt 24.4,5). Notemos que Jesus disse que haveria “muitos” falsos cristos que enganariam “a muitos”. Só estão enganados aqueles que não aceitam a palavra de Cristo, e preferem aceitar as mensagens enganosas e heréticas de falsos cristos. Jesus disse: “E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos ’ (Mt 24.11). Já foi visto, no capítulo 1, que, em séculos passados, surgiram muitos falsos profetas, os quais enganaram a muitas pessoas, e, mesmo tendo falecido, seus ensinos heréticos continuam a ter seguidores e adeptos, dominados por suas heresias.

2. Apostasia

Diz o apóstolo Paulo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). “Apostasia (gr. apostasia) significa “desvio”, “afastamento”, “abandono”.2 Tem o sentido também de revolta , ‘rebelião”, no sentido religioso. Numa definição clara, apostasia quer dizer “abandono da fé”. Ocorre quando alguém, individualmente ou em grupo, passa a aceitar doutrinas estranhas ou heréticas, em desacordo com a linha de doutrina que esposava antes do seu desvio (2 Tm 4.4). Apostasia, no original do Novo Testamento, vem do verbo aphistemi, com o sentido de “... rejeitar uma posição anterior, aderindo a posição diferente e contraditória à primeira fé, repelindo-a em favor de nova crença”.3 Nos últimos anos, esse comportamento tem sido mais observado do que em tempos passados. E impressionante como líderes, outrora ortodoxos, hoje, apregoam ideias opostas àquele ensinamento que defendiam.4

A apostasia é um sinal fortíssimo do prenúncio da vinda de Jesus. Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Ts 2.3). Na vida espiritual, ou religiosa, são esses os sinais mais marcantes que antecedem a volta de Cristo. A apostasia precede os outros dois, que são a manifestação “do homem do pecado” e do “filho da perdição”. “Esse é um sinal de grande significado. Hoje, a apostasia, na área do ensino, tem assumido proporções muito significativas, e há igrejas que comemoram festas judaicas, como a Festa dos Tabernáculos, a Festa da Colheita e até a Páscoa, que são festas eminentemente judaicas.

Em certas denominações, ou igrejas neopentecostais, há verdadeiro “culto aos anjos”, em que pregadores, manipulando o auditório, dizem estar vendo anjos, que “o anjo chegou”, que o “anjo já se sentou na cadeira do meio”, e outras invencionices, visando atrair as atenções e o emocionalismo dos que não conhecem as Sagradas Escrituras. Há também as chamadas “novas unções”, em que pastores se dizem ser possuidores de poderes especiais da parte de Deus. Sem falar na apostasia de caráter moral e litúrgico, em que crentes, mesmo em igrejas pentecostais históricas, fazem do culto um momento de exibicionismo e emocionalismos escandalosos, com as demonstrações do chamado “ré-té-té”, que depõe contra a ordem no culto e o bom nome do evangelho. Há igrejas que retiram os bancos ou as cadeiras e fazem do lugar de adoração ringue de lutas marciais, danceterias, boates gospel e até local de “rodeio”, onde o pastor monta num touro para atrair pessoas para Cristo.

3. Religiões Ocultistas - de Demônios

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1 - grifo nosso). Além da apostasia teológica e moral, o surgimento e expansão de “doutrinas de demônios”, por meio dos “espíritos enganadores”, tem sido uma das marcas deste presente século. Na Europa, o cristianismo está em decadência. Milhares de igrejas ou denominações evangélicas fecharam no Velho Continente, e grandes templos foram vendidos e transformados em bares, restaurantes, bibliotecas, museus e mesquitas muçulmanas. Menos de 5% da população vai a qualquer igreja. Enquanto isso, o satanismo e as religiões ocultistas têm proliferado no continente que já foi berço de grandes avivamentos e celeiro de missionários. No meio da juventude, muitos jovens outrora crentes, hoje, são adeptos do espiritismo, da Nova Era e de religiões reencarnacionistas. Nos Estados Unidos, segundo estatísticas, 40% dos jovens não mais vão às igrejas. Mas a sedução do ocultismo tem atraído a muitos para seus arraiais. Diz Paulo: “se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4.3,4).

4. O Estado de Israel

Nenhuma nação do mundo, a não ser Israel, tem papel tão importante para o calendário profético em relação aos últimos dias das dispensações bíblicas. O que acontece com Israel deve ser anotado com cuidado no que respeita ao cumprimento das profecias sobre o fim dos tempos. Por causa da desobediência a Deus, a nação israelita foi dispersa pelo mundo (Dt 28.25; Lv 26.33). Rejeitando o Messias, por não entender que Cristo era o enviado de Deus para seu povo, os judeus vieram Jerusalém ser invadida pelas tropas romanas, no ano 70 d-C, a cidade foi destruída e seus habitantes dispersos pelo mundo, ficando privados de seu território, não ficando “pedra sobre pedra”, conforme Jesus previu (Mt 24.2).
Porém, por causa do concerto de Deus com Abraão, Isaque e Jacó, reiterado com Davi e os profetas, Deus já previra a restauração nacional de Israel como como Estado (Dt 4.29,30; Ez 11.17-36). Na Idade Média, milhares de judeus foram queimados em praça pública pela intolerância da igreja católica; na Segunda Guerra Mundial, mais de 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas, nos campos de concentração alemães. Mas as promessas de Deus não podem falhar. Em 14 de maio de 1948, por desígnio de Deus, por intermédio da ONU, Israel foi restabelecido como Estado soberano e independente, com direito a retornar à sua terra. Isaías profetizou: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos” (Is 66.8 - grifo nosso).

Uma pequena nação, num território exíguo, cercado de inimigos, só um milagre de Deus pode explicar a existência de Israel e sua permanência como Estado soberano. Os adversários de sua existência o atacaram em 1948, e foram derrotados. Em 1967, Israel foi atacado por 13 nações árabes, e as venceu; em 1973, foi atacado mais uma vez, na Guerra do Yon Kipur, e derrotou os exércitos inimigos de forma avassaladora, impondo seu poderio militar e estratégico. Mas, sem dúvida alguma, foi a mão de Deus que protegeu a nação que Ele escolheu para ser “reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19.6). “Dias virão em que Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo” (Is 27.6). A parábola da figueira foi usada por Jesus para indicar as proximidades dos últimos dias. “Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.33-35 - grifo nosso). Os discípulos entenderam que o Mestre se referia à sua geração, que vivia naquele tempo. Mas geração pode ser traduzida como etnia ou raça. Jesus dizia que os judeus seriam um sinal um sinal profético para os fins dos tempos.

5. Dois Tipos de Crentes

Quando Jesus vier para arrebatar a sua Igreja, haverá dois tipos de crentes: os que estão preparados para subir e os que estão preparados para ficar. A parábola das Dez Virgens (Mt 25.1-13) nos dá essa mensagem de alerta. Toma por base um casamento judaico típico, quando dez damas de honras, ou testemunhas, acompanhavam os noivos no seu casamento. Era uma grande honra participar da grande festa. As dez virgens representam todos os crentes que estiverem vivos, por ocasião da volta do Senhor. As cinco “prudentes” representam os crentes salvos, lavados no sangue de Jesus, e que permanecem em santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.4; 1 Ts 5.23). São “o joio”, na seara do Senhor (Mt 13.30). As virgens “loucas” ou “insensatas” representam os crentes que, por ocasião do arrebatamento, estiverem descuidados, negligentes, e não esperam a volta do Senhor. A santificação do crente salvo depende de sua comunhão com Jesus e com o Espírito Santo. O azeite nas vasilhas, ou seja, nas vidas, representa a unção do Espírito. Sem esse “azeite”, inclusive com reserva, é impossível estar preparado para entrar para as Bodas do Cordeiro.

6. Perseguição aos Cristãos

A Igreja de Jesus nasceu debaixo da perseguição; cresceu e se desenvolveu no mundo sob perseguição e, na vinda de Jesus para arrebatá-la, terá como sinal evidente a perseguição contra os servos de Cristo. Jesus profetizou esse sinal: “Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome” (Mt 24.9). Na história da Igreja, houve a perseguição dos judeus; seguiu-se a perseguição do Império Romano; tempos depois, na Idade Média, a perseguição movida pela igreja dominante, com a Inquisição; na idade moderna, veio a perseguição dos materialistas, que se levantaram contra Deus e sua igreja; no século XX, levantou-se a perseguição do comunismo ateu; todas essas perseguições tinham um único objetivo: destruir a Igreja de Jesus Cristo. Objetivo completamente sem sucesso. Pois Jesus disse: “Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).
No século XXI, nesta era pós-moderna, a perseguição aos crentes em Jesus não diminuiu. Tem-se acentuado. Desde o século anterior, mais cristãos foram mortos por causa de sua fé do que em todos os séculos precedentes. Certamente são “as dores e parto” que estão se encurtando. Desde 2012 até os dias presentes, a média de cristãos assassinados por causa de sua fé é de 100.000 por ano! Um número impressionante. Onze cristãos são mortos por dia. Nenhuma outra religião tem tantos fiéis mortos quanto o cristianismo.

Nos últimos anos, a mais cruel e covarde perseguição aos cristãos tem sido protagonizada pelo famigerado, assassino e terrorista Estado Islâmico”. Um grupo extremista, que tem a finalidade de implantar um governo islâmico radical, nos moldes do século VII, um Califado, que pretende dominar o Oriente Médio, e, dali, expandir seus domínios políticos e doutrinários ao mundo, usando a violência, a intimidação e o terror. No momento, esse grupo terrorista já matou milhares de cristãos e outras minorias; e domina 40% do território sírio e um quarto do território do Iraque.
Impressiona a omissão do Ocidente e até mesmo dos evangélicos no mundo com relação a esse verdadeiro “holocausto” de cristãos. A morte de 10 pessoas, que trabalhavam num semanário francês, criticando o profeta Maomé teve mais repercussão que o extermínio de milhares de cristãos pelos terroristas islâmicos. No entanto, há uma bem-aventurança para quem for alvo dessa perseguição cruel: “bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.11,12).

II - Sinais do Céu (Lc 21.11)

Os discípulos não devem ter alcançado o que Jesus dizia sobre sinais do céu. Ainda hoje, intérpretes dos livros proféticos divergem quanto a essa profecia. “... e haverá, em vários lugares, grandes terremotos, e fomes, e pestilências; haverá também coisas espantosas e grandes sinais do céu” (Lc 21.11 - grifo nosso). Notemos que o texto diz “sinais do céu” e não sinais “no céu”. Há quem ensine que se tratam dos objetos voadores não identificados (OVNIs), ou o aparecimento dos ETs, seres extraterrestres. Não dá para termos uma interpretação conclusiva. Os chamados OVNIs têm sido identificados como aviões não tripulados, ou aviões secretos dos Estados Unidos, da Rússia ou de outro país com tecnologia avançadíssima, que produzem naves tão estranhas que são difíceis de serem detectadas. A questão dos ETs nos parece que são de origem demoníaca, pois levam as pessoas a acreditarem que há seres inteligentes em outros planetas. Na verdade, não devemos especular e muito menos doutrinar sobre coisas que não são reveladas.

III - Sinais em Baixo na Terra

No meio do seu sermão profético, Jesus previu que, antes de sua volta, para buscar a Igreja, “se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mt 24.7). Quanto a “nação contra nação”, não é nenhuma novidade. Há séculos que há guerras, aqui e ali, além das duas grandes Guerras Mundiais; mas, no período que antecede a volta de Cristo, o sinal profético dá a entender que essas guerras seriam mais constantes, ainda que não globalizadas. O mesmo se dá quanto à existência de “reino contra reino”; mesmo no presente tempo, vemos o surgimento de “guerras” ideológicas em muitos países e continentes.
Na Europa há uma guerra velada, com ameaça dos extremistas islâmicos, como ocorreu, há poucos meses, em virtude de o semanário francês Charlie Hebdo ter publicado charges com a imagem do profeta Maomé. O grupo Al Qaeda, de origem islâmica, também ameaça o mundo com suas ações terroristas; o Estado Islâmico faz guerra no Oriente Médio e ameaça levá-la ao mundo todo; outro grupo mista e sanguinário também atua na Nigéria, e seu alvo principal é a destruição da fé cristã.
Na Palestina, o estado de guerra é permanente, entre nações árabes e Israel, pela posse de territórios, disputados pelas nações vizinhas. O grupo Hamas, que atua em Gaza, tem como objetivo lançar Israel no mar, e eliminá-lo do mapa como nação. No Irã, líderes islâmicos profetizam a destruição de Israel por Alá, até que não haja mais um único judeu escondido atrás das árvores.
Quanto à ocorrência de “terremotos em vários lugares”, tem sido recorrente, ao longo dos séculos. Há algumas décadas, houve notícias de grandes tremores de terra, ao longo da História. O registro de terremotos, ao longo dos séculos, é sinal da volta de Cristo, pelo seu crescimento geométrico, anotado por órgãos oficiais, que pesquisam os fenômenos sísmicos.

No século I ao século XVI, houve menos de 10 terremotos a cada cem anos. No século XVII, houve 10 terremotos, indicando aumento significativo. No século XIX, foram registrados 15 tremores de terra; no século XX, o número de abalos sísmicos subiu para quase 100 por ano, e, entre 1970 a 1979, ocorreram 1553 tremores de terra. “O número de terremotos tem aumentado assustadoramente nos últimos 20 anos. Entre 2000 e 2010, aconteceram mais de 200.000 terremotos em toda a faixa da escala Richter, de acordo com o United States Geological Survey, dos Estados Unidos”.5 Nos últimos anos, estima-se que ocorram de 300.000 a 500.000 terremotos por ano.’ Destes, cerca de 100.000 são percebidos pelos sentidos das pessoas. A maior parte dos tremores ocorrem em escalas imperceptíveis ao ser humano. Só são detectados pelos equipamentos de medição da intensidade sísmica, instalados em diversos países, e observados por laboratórios especializados.

Além desses sinais, há também a previsão da ocorrência de secas e catástrofes ecológicas, que produzirão fome e pestes “em vários lugares” (Mt 24.7). As secas ou estiagens têm preocupado os governos e cientistas. Na África, na região do Shael, ainda existem períodos de tanta seca, que populações inteiras clamam por comida e por água. No mundo todo, já há uma preocupação com a “administração das águas” por parte das nações. Há quem diga, talvez exageradamente, que a III Guerra Mundial será pela disputa de mananciais de água potável. No Brasil, nos dias presentes, em alguns estados, há secas severas, que obrigam os governos a atender as populações com o uso de carros-pipa. Em São Paulo, o nível dos mananciais que abastecem regiões está tão abaixo do mínimo necessário que demanda medidas emergenciais de alto custo.

IV - Sinais na Vida Moral

A Bíblia diz: Qualquer que comete o pecado também comete iniquidade, porque o pecado é iniquidade” (1 Jo 3.4). O pecado é iniquidade. E sua multiplicação, de forma desenfreada, é um dos sinais evidentes da proximidade do fim dos tempos, antes do arrebatamento da Igreja (Mt 24.12). Equivale dizer que por se multiplicar a pecaminosidade do homem, o amor tende a esfriar. Lamentavelmente, até no meio cristão, o amor tem esfriado em muitos corações, por causa da iniquidade, ou do pecado, no meio cristão.
Essa multiplicação da iniquidade foi comparada por Jesus com o clima espiritual do tempo do patriarca Noé. O texto de Lucas aparentemente não reflete nada que diga respeito ao alastramento do pecado: “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos (Lc 17.26-27). Comer, beber, casar são práticas normais na vida do ser humano. No entanto, algo muito pior acontecia, no tempo de Noé. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração. [...] A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra" (Gn 6.5,6,11,12 - grifos nossos). A iniquidade, ou a maldade, nos dias de Noé, chegaram a tal ponto que Deus resolveu destruir toda a humanidade de então (Gn 6.13). A população da terra “estava corrompida”; “toda carne havia corrompido o seu caminho”. Ou seja: as práticas do pecado estavam tão multiplicada que a iniquidade era generalizada.

Lucas prossegue, registrando o sermão de Cristo, mostrando que os últimos dias seriam semelhantes ao que ocorria nos dias do patriarca Lo. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar” (Lc 17.28-30 - grifo nosso). Notemos que, quando Jesus fala dos “dias e Noé , inclui a realização de casamentos, mesmo em meio a tanta corrupção moral. Mas, quando se refere aos “dias de Ló”, o quadro moral e social muda. Não fala em casar e dar-se em casamento. Não é significativo? Porque um dos pecados mais evidentes, nos “dias de Ló”, em Sodoma e Gomorra, era a prática homossexual desenfreada. Em capítulo adiante, voltaremos a refletir sobre esse aspecto.

                                            Pastor : Elinaldo Renovato

Bibliografia 

1 HORTON, Stanley M. Teologia sistemática, p. 627.

2 CPAD. Bíblia de Estudo Pentecostal, p. 1856.

3 CHAMPLIN, Russel Normam. O Novo Testamento interpretado - versículo por versículo. Vol. 5, p. 318.

4 LIMA, Elinaldo Renovato de. As ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais, p. 55.